Quase todas as recomendações do Google Ads pedem mais gasto, mais alcance ou mais automatismo, e nenhuma pede menos. Isso não as torna más: algumas são correções de medição que valem a pena. Mas o botão "Aplicar" não distingue entre uma e outra, e quem decide é você. A regra prática que usamos: aceitar o que corrige medição ou qualidade do anúncio, rever à mão o que mexe em orçamento, alcance ou licitação, e ignorar o que só existe para subir a pontuação.
Para não falar de ouvido, lemos as recomendações que a Google tem abertas nas contas que gerimos. O resultado explica porque é que a lista parece sempre longa.
O que medimos nas contas Google Ads que gerimos
A 26 de Outubro de 2026 lemos, só em modo de leitura, as recomendações não dispensadas em todas as contas Google Ads ativas que gerimos: 45 contas, sem nenhuma falha de leitura. Destas, 21 tiveram investimento nos últimos 30 dias, e é sobre essas que contamos. Não aplicámos nem dispensámos nenhuma recomendação para fazer esta medição.
Duas contas não tinham nenhuma recomendação aberta e as outras 19 tinham entre 1 e 43. No total eram 209. A pontuação de otimização, a nota de 0 a 100 que a Google dá a cada conta, teve mediana de 73,9. Quatro contas apareceram com 0,0 e não confirmámos porquê, por isso não tiramos conclusões delas. Uma conta com pontuação alta não é necessariamente uma conta que converte bem: a pontuação mede quantas sugestões da Google já foram aceites, não quantos contactos a conta gera.
Que tipos de recomendação aparecem mais, e o que fazer com cada um
Os tipos que mais apareceram, por número de recomendações e por número de contas onde surgem:
| Tipo de recomendação | Recomendações | Contas | O que fazemos |
|---|---|---|---|
| Palavras-chave novas | 113 | 12 | Rever uma a uma |
| Formulário de contactos como extensão | 13 | 7 | Aceitar se o formulário existir |
| Expandir para a rede de Display | 11 | 7 | Ignorar em conta nova |
| Incluir parceiros de pesquisa | 9 | 6 | Ignorar em conta nova |
| Melhorar a qualidade do anúncio responsivo | 9 | 8 | Aceitar, depois de ler |
| Ligações de página (sitelinks) | 9 | 8 | Aceitar |
| Aumentar orçamento (retorno marginal) | 6 | 5 | Decidir com o custo por contacto |
Repare no peso das palavras-chave: mais de metade da lista é uma única categoria. Quando a Google sugere palavras novas, está a sugerir tráfego novo para si pagar, não a corrigir uma falha. Pode valer a pena, mas a decisão é de quem conhece o negócio: uma palavra ampla demais traz cliques de quem nunca vai comprar. Veja primeiro nos termos de pesquisa que palavras já lhe trazem contactos, e só depois acrescente.
As recomendações que aceitamos, e porquê
São as que melhoram o anúncio sem mexer em quem o vê nem em quanto gasta:
- Ligações de página e destaques: dão mais espaço ao anúncio no ecrã e ao cliente mais caminhos para a página certa. O risco é baixo e é fácil de desfazer.
- Formulário de contactos como extensão: só se o formulário existir e os contactos chegarem a quem os trata. Confirme isso antes de aceitar.
- Melhorar a qualidade do anúncio responsivo: aceite depois de ler o texto sugerido. A Google propõe títulos genéricos e é você que sabe o que a empresa pode prometer.
- Atualizar a medição de conversões: se aparecer, é quase sempre para aceitar. Sem medição fiável, todas as outras decisões ficam às cegas.
As recomendações que revemos à mão antes de decidir
Quando a recomendação mexe em dinheiro ou em licitação, a regra é parar. Em 5 das 21 contas apareceu "aumentar o orçamento por retorno marginal", e em 4 apareceu a passagem para "maximizar conversões". Nenhuma destas é errada em si, mas ambas dependem de um dado que a Google não tem: quanto vale um contacto para o seu negócio.
Maximizar conversões em particular só faz sentido com histórico de conversões. Numa conta sem histórico, o sistema não tem de onde aprender e gasta o orçamento a experimentar. Para o orçamento, a pergunta é simples: o último contacto que a conta trouxe custou menos do que aquilo que está disposto a pagar por um? Se sim, aumentar pode fazer sentido. Se não, mais orçamento só compra mais do mesmo.
Para perceber como a Google tem vindo a ampliar o alcance das campanhas de pesquisa por conta própria, leia o nosso artigo sobre o AI Max no Google Ads para PME.
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Duas categorias merecem desconfiança em contas com orçamento pequeno: a expansão para a rede de Display (11 recomendações em 7 contas) e a inclusão de parceiros de pesquisa (9 recomendações em 6 contas). Ambas aumentam o número de sítios onde o anúncio aparece, e é aí que o orçamento se dilui: em contas pequenas, cada euro que vai para sítios de menor qualidade é um euro que não foi para a pesquisa onde o cliente já estava à procura de si.
Nas contas que gerimos, estas duas opções ficam desligadas por defeito. Podem ser testadas mais tarde, com um período de comparação e um orçamento separado, mas não como resposta a um botão numa lista.
O mesmo raciocínio vale para a aplicação automática. A Google permite aplicar certas recomendações sem pedir a sua aprovação, e a própria página de ajuda diz que só um número limitado delas pode ser aplicado automaticamente e que a lista muda com o tempo. A 26 de Janeiro de 2026, por exemplo, a recomendação "Adicionar anúncios responsivos de pesquisa" deixou de sugerir ou criar anúncios novos e saiu da página de aplicação automática (página de ajuda do Google Ads sobre aplicação automática de recomendações). Se a lista de opções muda sem aviso, deixar tudo ligado é aceitar decisões que ainda não existem.
Como decidir em três perguntas
- Isto muda quanto gasto ou onde o anúncio aparece? Se sim, é uma decisão de orçamento e não uma correção: não se aplica sem rever.
- Consigo desfazer em minutos? Uma ligação de página desfaz-se num clique. Uma mudança de licitação pode demorar semanas a recuperar.
- A Google ganha com isto mesmo que eu não ganhe? Mais cliques, mais redes e mais orçamento aumentam o que a Google fatura. Isso não os torna maus, mas obriga a provar o benefício do seu lado.
Se a resposta à terceira for "não sei", dispense a recomendação em vez de a deixar a acumular. Dispensar não é recusar para sempre: a Google volta a sugerir quando o contexto da conta mudar. E uma pontuação de 100 nunca deve ser o objetivo: o objetivo é o custo por contacto.
Para pôr estas decisões em números, veja quanto custa gerir o Google Ads e quanto custa anunciar no Google em Portugal.
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Nas contas de Google Ads que gerimos, cada recomendação é lida antes de ser aplicada ou dispensada, e a decisão fica registada no worklog que o cliente vê no Portal do Cliente, com a data e o motivo. Assim sabe o que mudou na sua conta e porquê, sem ter de perguntar.
Não prometemos um número de contactos nem um custo por contacto: dependem do setor, da oferta e da página de destino. O que fazemos é dizer-lhe, por escrito, o que foi alterado.