Desde o fim de Agosto de 2026, o gestor de anúncios da Meta tem uma coluna nova chamada diversidade de conteúdos criativos. Classifica cada conjunto de anúncios como baixa, média ou alta diversidade, e a própria Meta marca-a como estimada e em desenvolvimento. É a primeira vez que a plataforma mostra, com uma nota, aquilo que diz há um ano e meio: que precisa de criativos diferentes entre si, e não de dez versões do mesmo anúncio.
A resposta directa sobre o que fazer com ela é esta: use a nota como alarme de semelhança, nunca como objectivo. Uma nota baixa diz que os seus anúncios se parecem demasiado uns com os outros. Não diz qual deles vende, nem que subir para alta vai baixar o custo por lead. Medimos 24 conjuntos de anúncios nas contas que gerimos e, mesmo com seis ou mais anúncios lá dentro, na mediana a Meta pôs mais de metade do gasto do conjunto num único anúncio, e 85,6% nos dois primeiros. A diversidade serve para dar escolha ao algoritmo, e o algoritmo escolhe poucos.
Em uma frase: a coluna nova mede se os seus anúncios são diferentes. Continua a ser o custo por lead, a taxa de conversa e o que acontece no CRM que dizem se são bons.
O que a coluna mostra, e o que ainda ninguém sabe ao certo
A métrica apareceu sem grande anúncio e as descrições que circulam não coincidem em tudo. Separámos o que está confirmado do que é apenas relatado, porque é aí que a maioria dos guias escorrega.
| O quê | Estado | De onde vem |
|---|---|---|
| Existe uma página oficial de ajuda da Meta chamada "Diversidade de conteúdos criativos" | Confirmado | Centro de Ajuda para Empresas da Meta, título confirmado a 24/09/2026 |
| Classifica cada conjunto de anúncios em baixa, média ou alta | Relatado por várias fontes | Search Engine Land e imprensa especializada, Agosto e Setembro de 2026 |
| Está marcada como estimada e em desenvolvimento | Relatado por várias fontes | Idem, citando a definição da Meta |
| Aparece em Colunas, Personalizar colunas, Diversidade de conteúdos criativos | Relatado | Idem |
| Mede só a semelhança visual de imagens e vídeos | Em disputa | Umas fontes dizem só visual, outras falam também de mensagem e formato |
| Afecta a entrega ou o leilão | Sem prova | Nenhuma fonte oficial o diz |
Há um pormenor relatado por quem já a testou que vale a pena guardar: conjuntos com imagens, vídeos, carrosséis e conteúdo de criadores misturados aparecem mesmo assim com nota baixa. Misturar formatos não chega. Se todos os anúncios usam a mesma cena, o mesmo enquadramento e a mesma pessoa, para a Meta continuam a ser o mesmo anúncio vestido de maneiras diferentes.
Porque é que a Meta quer anúncios diferentes, nas palavras dela
Desde que o sistema de entrega da Meta, o Andromeda, passou a escolher a quem mostrar cada anúncio a partir do próprio conteúdo do criativo, o anúncio faz o trabalho que antes era da segmentação. A Meta escreveu-o em Abril de 2025, quando atribuiu ao Andromeda uma melhoria de 8% na qualidade dos anúncios mostrados, e voltou a ele em Dezembro de 2025 com uma definição que vale a pena ler devagar: diversificar é criar peças diferentes no aspecto, no ambiente, na história e na mensagem, pensadas para pessoas ou usos diferentes. O exemplo que a própria Meta dá do que não conta é o mais útil de todos: dois anúncios com o mesmo visual e apenas o botão diferente.
| Conta como diversidade | Não conta |
|---|---|
| Um vídeo de testemunho e uma imagem com um número do seu negócio | O mesmo vídeo com três títulos diferentes |
| Um anúncio para quem ainda não sabe que tem o problema e outro para quem já está a comparar preços | A mesma imagem em azul, verde e laranja |
| Uma fotografia do produto em uso e um carrossel com o passo a passo | O mesmo texto com o botão "Saber mais" e "Pedir orçamento" |
| Uma pessoa a falar para a câmara e um ecrã com o resultado | A mesma cena gerada por IA com fundos diferentes |
É também por isto que vale a pena ver o que a própria Meta faz aos seus anúncios. Desde Fevereiro de 2026, as melhorias automáticas de criativo com IA vêm ligadas por defeito nas campanhas novas de vendas e de leads, e produzem variações de texto, de cor e de proporção. Isso não é diversidade no sentido acima: são variações do mesmo anúncio. Nas contas que gerimos desligamo-las anúncio a anúncio, pelas razões que explicámos no artigo sobre o Advantage+ em 2026.
O que medimos: seis anúncios não querem dizer seis anúncios a trabalhar
Esta é a parte que não se encontra num guia. Fomos às contas de Meta Ads que gerimos a partir da conta de gestão da Synco, na Europa, no Brasil e nos Estados Unidos, e lemos anúncio a anúncio os 30 dias entre 24 de Agosto e 22 de Setembro de 2026. Ficaram 24 conjuntos de anúncios de campanhas de leads e de mensagens, em 11 contas, com gasto suficiente para se ler alguma coisa. A pergunta era simples: quando se dá vários anúncios à Meta, como é que ela reparte o dinheiro?
Dos 24 conjuntos, 13 tinham seis ou mais anúncios com gasto, entre 6 e 16. Mesmo aí, a repartição foi tudo menos igual:
| O que medimos | Resultado | Base |
|---|---|---|
| Quota do gasto do anúncio que mais gastou (mediana) | 53,6% | 13 conjuntos com 6 ou mais anúncios |
| Quota dos dois anúncios que mais gastaram (mediana) | 85,6% | os mesmos 13 conjuntos |
| Anúncios que receberam menos de 5% do gasto do conjunto | 62,6% | 123 anúncios em 16 conjuntos com 3 ou mais |
| Conjuntos onde o anúncio que mais gastou não era o de menor custo por resultado | 6 de 8 | 8 conjuntos com 3 ou mais anúncios e pelo menos 2 deles com 3 ou mais resultados |
| Conjuntos onde o anúncio mais barato por resultado recebeu menos de 20% do gasto | 3 de 8 | os mesmos 8 conjuntos |
Duas leituras saem daqui. A primeira: a Meta não reparte o dinheiro, escolhe. Com seis, oito ou treze anúncios num conjunto, a mediana foi um anúncio a levar mais de metade e os dois primeiros a levar mais de oito em cada dez euros. Os restantes recebem o suficiente para serem testados e pouco mais. É assim que o sistema foi desenhado, e não é um defeito: é por isso que a diversidade importa, porque o algoritmo só pode escolher entre ideias que lhe foram dadas.
A segunda leitura é a que mais pesa no bolso. Em 6 de 8 conjuntos, o anúncio que recebeu mais dinheiro não era o que trazia leads ou conversas mais baratas, e em 3 deles o mais barato ficou com menos de um quinto do gasto. A Meta optimiza para o que prevê que vai converter no leilão, o que nem sempre coincide com o custo por resultado que vemos no fim. A amostra é pequena e contámos só anúncios com pelo menos três resultados, para não chamar barato a um anúncio que teve sorte uma vez. Mas chega para uma regra prática: quem gere a conta tem de olhar para os anúncios que gastam pouco, porque é aí que às vezes está o melhor.
Sejamos claros sobre o que isto não prova. São contas nossas, de sectores concretos, numa janela de 30 dias, e comparar conjuntos com mais e menos anúncios mistura orçamentos e objectivos diferentes. Não é uma experiência controlada, e não serve para dizer que mais anúncios dão leads mais baratos. Serve para uma coisa mais prática: a diversidade não se mede pelo número de anúncios activos, mede-se pelo número de anúncios que o algoritmo chega a experimentar a sério.
O erro que nos custou conversas: desligar o anúncio que convertia
A concentração do gasto tem um efeito perigoso, e já o apanhámos nas nossas próprias contas. Na auditoria semanal de criativos de 14 de Setembro de 2026, em duas de cinco contas de operadoras de internet no Brasil, o anúncio que estava a converter foi pausado a meio da semana, e ficaram a correr os que davam zero. Num dos casos, o anúncio pausado tinha feito 3 das 4 conversas da semana, com 27,3% dos cliques a tornarem-se conversa. Nos dois dias seguintes à pausa, a conta gastou R$ 29,77 e não teve nenhuma conversa.
Porque é que alguém pausa o melhor anúncio? Porque o ordenou por gasto ou por custo por lead. Um anúncio com pouco gasto e muita conversão parece irrelevante nas duas ordenações habituais, e é exactamente o que não se pode desligar. Desde então, na nossa régua, antes de pausar ordena-se pela taxa de clique para conversa, nunca só pelo custo nem pelo gasto.
O mesmo vale para a frequência, que muita gente usa para declarar um criativo cansado. Na mesma semana, um anúncio corria com frequência de 10,97 e convertia 36,1% dos cliques em conversa, a R$ 2,84 cada. Outro, noutra conta, estava em 4,80 de frequência, convertia 2,7% e custava R$ 57,93 por conversa. O cansado era o de 4,80. Frequência alta é razão para ir ver a conversão, não para pausar.
O que fazer quando a coluna diz baixa diversidade
- Olhe para os anúncios lado a lado, em miniatura. Se parecem da mesma sessão fotográfica ou do mesmo modelo gráfico, a nota está certa, mesmo que os títulos sejam todos diferentes.
- Crie por conceito, não por variação. Mude uma de três coisas de cada vez: para quem é o anúncio, que resultado promete, e quão consciente do problema a pessoa já está. Cada combinação diferente é um anúncio diferente.
- Ajuste o número de anúncios ao orçamento. Com 10 a 20 euros por dia, seis anúncios bem diferentes chegam. Quinze anúncios a esse orçamento fragmentam a entrega e nenhum sai da fase de aprendizagem. Mais sobre esta conta no artigo sobre como reduzir o CPL no Meta Ads.
- Junte, não espalhe. Um conjunto de anúncios por objectivo, com os criativos todos lá dentro, em vez de um conjunto por criativo. É assim que o algoritmo compara.
- Antes de pausar, ordene pela conversão. Taxa de clique para conversa ou para lead, com o gasto ao lado. Nunca pause o que converte só porque gastou pouco.
- Dê 7 a 14 dias antes de mexer, e renove o conceito a cada 2 a 3 semanas. Renovar é trazer uma ideia nova, não trocar a cor do botão.
- Se usar IA para criar variedade, rotule. Um anúncio com uma pessoa fotorrealista gerada por IA precisa de rótulo visível desde 2 de Agosto de 2026, pelo artigo 50.º do Regulamento Europeu de IA. Publicámos o manual de rotulagem que usamos.
O que não fazer: correr para produzir vinte anúncios para ver a nota subir. A nota é estimada, está em desenvolvimento e nenhuma fonte oficial diz que pesa no leilão. O que pesa é o anúncio que converte.
A Synco faz isto por si
Todas as semanas corremos uma auditoria de criativos nas contas de tráfego pago que gerimos: lemos anúncio a anúncio, cruzamos o gasto com a conversão e com o que aconteceu nos dias seguintes a cada pausa, e o que sai daí é uma lista de acções com o nome exacto do anúncio, nunca do tema. Foi essa auditoria que apanhou o anúncio que convertia desligado a meio da semana.
Cada cliente vê os mesmos números num BI próprio, ao vivo, da mesma fonte que usamos para decidir, e a conta de anúncios fica sempre no nome dele. Se quer saber se os seus anúncios são mesmo diferentes, ou só parecem, é por aí que começamos.